Há duas grandes revoluções a acontecerem na nossa sociedade. Uma é a Descarbonização da economia, a outra é a Digitalização. É sobre esta segunda revolução que escrevo.

Cada vez mais a nossa vida gira à volta do nosso telemóvel. No final dos anos 90 serviam para fazer chamadas e enviar mensagens de texto, hoje em dia servem para fazer tudo, ou quase tudo. Foi com o lançamento do iPhone, em 2007, que a Apple lançou o desafio para o mundo de cada pessoa “ter toda a sua vida no seu bolso”. Sucesso imediato.

Toda uma indústria de informação, criatividade e tecnologia teve nos últimos 13 anos um crescimento enorme. Surgiram as APP e aos poucos começaram a tomar conta do “mundo da internet”. Aos poucos todas as empresas começaram a criar as suas e hoje há APP para todas as finalidades.

Nem para todos os negócios ou atividades fará sentido ter uma APP, isso é certo, mas faz sentido ter uma APP quando se quer que o nosso cliente esteja sempre ligado, quando se quer elevar o nível de interação com o cliente, quando a frequência dessa interação é elevada, quando queremos que a navegação seja mais amigável pois há comportamentos que são recorrentes, e quando queremos que dentro desse ambiente se possam ter vários processos de negócio de uma forma otimizada e integrada.

Ou seja, um sitio onde tudo o que um cliente possa querer, está lá. Bem poderá não ser tudo, mas o principal, o mais frequente tem de estar.

Esta introdução para dizer que hoje saíram os números dos seguidores dos Clubes nas redes sociais. Constata-se que o Sporting tem menos de 1/3 que os seus rivais. Ou seja, está a anos dos seus rivais.

Quanto à APP passa-se o mesmo, os rivais têm APP modernas, com conteúdos “frescos”, até tendo criado várias APP consoante a finalidade especifica que o Sócio e Adepto pretende, e nós no nosso Sporting como estamos?

A nossa está parada no tempo, inútil pelo abandono a que foi votada. No meu telemóvel tenho mais de 50 APP instaladas, uso diariamente cerca de 15, mas nenhuma é a do Sporting. O Sporting está a perder a “guerra” nesta revolução que é a Digitalização. É uma “guerra” em que não há mortos, mas é uma “guerra” sem contemplações para quem não acompanhar o ritmo da mudança, pois ficará pelo caminho.

Na APP atualmente temos um apanhado de notícias, que são atualizadas com pouca frequência, ao contrário do expectável numa APP, que deve ser o primeiro ponto de consulta de informação do Clube. Tal não se justifica, pois, considerando o Universo Sporting, a sua abrangência é tão vasta que poderiam existir notícias sobre performances e resultados das diversas modalidades 24 horas por dia, 7 dias por semana.

Também os conteúdos não estão de acordo com o que são as tendências no consumo de conteúdos desportivos, pois os que têm maior crescimento são os vídeos, em streaming ou em clips. Na APP Meu Sporting o que se verifica é que este tipo de conteúdos são praticamente inexistentes, verificando-se o mesmo com as imagens disponibilizadas, o que torna a APP muito pouco atrativa.

Mas o mais grave é que ao não estarmos fortes nesta frente da Digitalização é que estamos a deixar de fora os nascidos entre 1997 e 2009, a Geração Z, que são a geração que se sente mais atraída para produtos individualizados e personalizados, e mais que as outras gerações estão dispostas a pagar por futebol, em particular a pagar por ofertas suplementares ao conteúdo já disponível. Esta geração são os futuros adeptos do futebol, são denominados como “digital natives” pois os smartphones e as redes sociais estão integradas no seu dia-a-dia desde o dia em que nasceram.

Estamos a perder a oportunidade de ligar o vínculo emocional ao contexto nativo destas pessoas, e é esta geração a melhor aproximação que temos ao que será o futuro do Sporting, por isso se nada fizermos e rapidamente nesta frente, então o Sporting não terá futuro.

Nuno Sousa
Sócio nº 9.575-0 desde agosto de 1981
Licenciado em Gestão pela Universidade Católica