O Sporting atravessa uma crise. Quantas vezes já ouvimos isto? Muitas, demasiadas. A principal crise é a de identidade. Não há referências de atletas, não há referencias de treinadores – exceto o Nuno Dias -, não há referências de dirigentes.

Talvez por isso não haja vitórias – no futebol masculino – ou será que a falta de vitórias é a responsável de não serem criadas referências?

No meio deste cenário uma das referências que tem subsistido ao longo dos anos têm sido as claques do Sporting. Não raras vezes a Juventude Leonina é referenciada como a “mais antiga de Portugal”. Os espetáculos proporcionados nos anos 80 são míticos, bem como as deslocações que se faziam. Desde então não houve jogo onde não estivesse alguém desse grupo de sócios.

Um dos pilares da democracia é a liberdade de associação, é um direito constitucional. As pessoas podem organizar-se e formar associações, seja porque são de um clube e querem apoiar esse clube, seja porque querem formar um movimento cívico, seja porque querem formar um partido politico, seja porque gostam dos animais, seja porque gostam de crianças, seja por que razão for. A liberdade é isso mesmo, e quem tem dificuldade em lidar com isto diz mais acerca de si do que se possa pensar.

Desde 1976 que no Sporting é habitual uma parte dos seus sócios organizarem-se em Claques, outros organizam-se para encontros dos Sócios com mais de 50 anos de associativismo, outros criaram um grupo em honra de Francisco Stromp e criaram uns prémios anuais, outros criaram uma IPSS e dão bolsas escolares.

Uma liderança do Clube quer-se a estabelecer pontes com os seus iguais, os restantes sócios, pois um presidente só o é por, em primeiro lugar, ser sócio também, um entre iguais, mas que ocupa o lugar de presidente mandatado em eleições pelos seus semelhantes. Assim, “posições de força” como alguns gostam de dizer, não são, não podem ser o caminho.

Hostilizar Sócios não é caminho, cortar apoios só porque Sócios ou grupos de Sócios não concordam com o rumo da direção, também não é o caminho. O caminho deve ser criar condições através de uma estrutura residente no clube, que seja dedicada a que os sócios que se queiram organizar no apoio ao Sporting saibam as regras e o que têm de fazer. Uma questão de direitos e deveres num compromisso, com um só objetivo: o Sporting vencer.

A liderança do clube deve estabelecer diálogo com todos os Sócios, logo também com as lideranças das diversas Associações de Grupos Organizados e em conjunto desenhar uma solução comum para todas as Associações existentes, solução essa que se quer transparente, em que todos ganhem, pois, só assim ganhará o Sporting.

A meu ver a solução deve ter regras simples, com os direitos de um lado:

  • Apoio logístico
  • Apoio jurídico e administrativo
  • Apoio para coreografias
  • Apoio comercial e de marketing
  • Estrutura dedicada do Clube para ajudar as Claques e outras associações nos seus objetos

E os deveres do outro:

  • Número de associados angariados
  • Venda de Gamebox futebol e modalidades
  • Presenças em jogos fora nas modalidades e no futebol
  • Criar uma estrutura de gestão dentro da associação
  • Comportamento e cumprimento da lei.

Este último ponto é fundamental para que não haja ruído e não afete a imagem das Claques. Devo referir que não gosto de ver tochas atiradas para o relvado, a festa deve ser feita nas bancadas, em concordância com a lei e com as autoridades, de forma a poder “contagiar” positivamente todo o Estádio ou Pavilhão, tornando o apoio aos atletas e às equipas do Sporting uma referência mundial catapultando-as para as vitórias que todos queremos.

Nuno Sousa
Sócio nº 9.575-0 desde agosto de 1981
Licenciado em Gestão pela Universidade Católica