É inevitável e absolutamente necessária a modernização das plataformas informáticas do clube que permitam uma maior e melhor interação com os adeptos e sócios, e aqui incluem-se as Assembleias Gerais, sejam Ordinárias ou Extraordinárias, que deem voz a um número cada vez maior de sócios, de forma a que as decisões do clube que estejam dependentes dos associados sejam cada vez mais representativas da sua vontade.

Mas que seja a voz de todos os Sócios e não apenas dos que têm a felicidade de morar perto de Lisboa e/ou de quem tem capacidade de se deslocar, muitas vezes centenas de quilómetros, para exercer o seu direito de voto. Na minha humilde opinião há questões que urge resolver a montante.

É tempo, e face a tudo a que o Mundo Sporting esteve sujeito no último ano e meio, de perceber as especificidades do nosso clube e as nossas idiossincrasias, de as aceitar e de construir em cima delas um clube onde os adeptos se revejam.

É indiscutível que há uma matriz popular onde as nossas bases assentam, de onde o Sporting se alimenta e só essa matriz o faz ser um Grande e ter a dimensão social que tem: uma base de apoio de mais de 3.000.000 de adeptos.

Há também, quer queiramos quer não, "nuances elitistas", de um clube governado por aquilo que chegou a ser considerada de "dinastia", onde não faltaram cooptações e "sucessões" onde os delfins chegavam ao poder substituindo os seus mentores. Estas tais nuances enraizaram-se durante décadas, ramificaram e compõem neste momento aquilo que é a "voz pública" do Sporting.

Não adianta fazer agora a cronologia da guerra entre dois paradigmas e duas formas de viver o clube. É altura de trabalhar em pontes que façam a ligação possível entre estes dois mundos que pertencem a algo maior. São todos parte do Sporting Clube de Portugal.

Só que essas pontes não se constroem com base em agendas e até ódios pessoais, com revisionismos da nossa história, assentes em manipulação das massas de forma a construir realidades alternativas. Clube com a sua história reescrita, não conhece o seu passado, muito menos percebe onde errou e o que fez bem. Se assim for, tal Clube não tem futuro.

Antes que a cisão atual se torne irreversível e coloque perigosamente em causa o património humano que são os sócios ativos do Sporting, é necessário:

  • Um movimento agregador e mobilizador.
  • Uma visão de futuro, onde TODOS contamos, um Sporting dos sócios e adeptos para os sócios e adeptos.
  • Um Sporting transparente e rigoroso, onde a informação cedida aos seus não cumpra objetivos essencialmente políticos, mas sim respeitadora da realidade do clube.
  • Justiça equitativa e não apenas no sentido meramente restrito. A responsabilização é um imperativo, mas nunca aplicada de forma seletiva e com interesses pouco claros. Como é imperativa a capacidade de reconhecer o contributo de quem fez o clube crescer, seja quem for, de que "fação" for. Os factos no seu devido lugar e não manipulados e até "revisionados".

Na minha opinião, estes pontos devem ser o foco prioritário do Universo Sporting para os próximos tempos, não desprezando nunca os instrumentos que permitam uma maior aproximação dos sócios a momentos importantes da vida do clube que devem acompanhar o processo, mas que serão mera cosmética sem que no mínimo se consigam menorizar as divisões, os conflitos e os ódios.

Nuno Bispo

Sócio 111.313-0

Moderador do FórumSCP desde 2015

Licenciado em Gestão pela Universidade Católica

Experiência profissional de 20 anos na Banca e Seguros