Nos últimos tempos, no seio dos Sportinguistas este tem sido o substantivo mais utlizado.

Diremos que ele contém em si algo de mágico, porquanto, tal como muitas vezes faz Luís de Matos com os seus objetos de magia, ora desaparecem, ora aparecem.

Assim está a formação para os Sportinguistas...

Em tempos de "vacas gordas" em que a equipa principal do Clube cumpre "os mínimos" de esperança que os associados nela depositam, ninguém se lembra da dita "formação" nem tão pouco – que é o mais importante – reclama a introdução, lenta, mas consistente, de atletas no seio da equipa principal, em que o exemplo mais recente é o "ciclo JJ".

São ciclos de predominância e desejo efetivo de conquistas de títulos assentes em modelos de gestão de "pé de barro".

Já em tempos de "vacas magras" como é o tempo atual, existe uma grande maioria a clamar a palavra "formação", sendo que parte deles foram atacados por forte amnésia quando do ciclo anterior, como se esta estivesse ao alcance de um abrir e fechar de olhos o surgimento de novos atletas ou seja, um "já está"!

Na minha modesta opinião "a formação" não pode ser vista como um vai e vem, como a espuma dos dias...

A formação tem de nascer como plano de opção estratégica e fundamental do Clube.

Esse plano estratégico tem de ser assumido pelos órgãos dirigentes, sem medos ou outras castrações como a estrita necessidade de conquistar títulos, como pilar fundamental do CLUBE, independentemente, dos resultados de curto prazo.

É comum, tal como nos tempos que correm, nas "noviças" formas de comunicação eletrónica a existência de um elevado número de sócios que clama já a "remodelação" da equipa principal na janela de transferências de janeiro de 2020.

Este é o erro crasso que da grande maioria dos Sócios que só pretende alcançar objetivos titulados sem cuidar, ou sequer se importar, do custo de poder vencer a "qualquer preço".

Existe no mundo da indústria do futebol, tal como em todas indústrias, de tempos a tempos, algo de anormal, disruptivo, que leva a que ciclos de produção bem estruturados sejam quebrados, por flashes momentâneos de conquista de títulos (mercado).

Um dos exemplos mais recentes foi o Leicester, mas isso são nuvens passageiras, tal como vem sendo o caso do Sporting.

A aposta na formação, para além de um projeto assumido, sem medos, por um Conselho Diretivo, não pode, nem deve estar dependente de conquista de títulos no amanhã, mas antes numa verdadeira aposta de todos: Sócios e Dirigentes, por muito que custe dizer a verdade.

Um projeto estruturado de aposta na formação é algo que pode demorar entre sete/oito anos a produzir um resultado que satisfaça a aposta feita e os reais interesses da Coletividade.

Esse projeto passa por:

  • Existência de instalações condignas e minimamente adequadas ao desenvolvimento do projeto na cadeia de valor estabelecido e projetado a longo prazo;
  • A existência e definição de um modelo de projeto sustentado nas mais modernas táticas do jogo que deve se adotado de forma vertical, embora não fechado a eventuais mudanças durante o ciclo que se mostrem mais consentâneas com o fim em vista;
  • Existência de um quadro humano de ativos altamente preparado e consciencializado do fim do projeto, apoiado nas mais modernas técnicas de treino e gestão do mesmo;
  • Avaliação técnica e modular do projeto em base semestral para aferir dos eventuais desvios ao objetivo pretendido sustentado nas melhores ferramentas técnicas que o mercado do futebol produza;
  • Aumentar e reorganizar todo o sistema de capilaridade ao mais baixo índice de busca da matéria prima a trabalhar, nomeadamente favorecendo países de língua portuguesa, nomeadamente africanos e países do Magrebe na busca de novos talentos;
  • Manter como ícone de formação o binómio atleta-homem como uma forte aposta no desenvolvimento do ser humano e do atleta;
  • Elevar o grau de "sportinguismo" na formação com a interferência de ciclos e experiências de ex-atletas de grande craveira sportinguista, extensível a atletas de outras modalidades que não só o futebol, para que essa mensagem de trabalho, entrega, esforço e dedicação produz, no futuro, e no momento adequado os resultados que todos pretendem;
  • Um maior envolvimento dos ativos humanos com os familiares dos atletas, num diálogo constante de forma a evitar situações de stresse ou rutura no ciclo formativo, com saídas para outros clubes.
  • Eventualmente rever o quadro de apoios monetários e outros, aproximando-o do mesmo patamar dos nossos concorrentes.
  • Exponenciar uma maior participação nos dois últimos patamares da formação dos atletas com a participação nos trabalhos semanais da equipa principal;

Estas e outras medidas devem ser complementadas com outras linhas de atuação "quase estatutárias" qual seja a determinação de todos os anos a equipa principal ter incluído no seu plantel um determinado número de atletas oriundos no último ano do ciclo de formação, sendo que no caso de tal não acontecer, sejam produzidos relatórios técnicos da equipa principal onde se evidenciem as razões técnicas do não acatamento e a alternativa de aquisição de atletas exteriores ao clube.

E a melhor de forma de todos sermos "pró formação" é defender que se houver necessidade de ajustamentos no plantel principal do SPORTING na janela de inverno, ele só pode ser feito por saídas, já que as entradas serão sempre oriundas na nossa atual formação.

Finalmente todos devemos interiorizar que o atleta em fase final de formação e ao entrar na equipa principal vai precisar de "ajuda" e não de "assobios" quando falhar pormenores técnicos que forçosamente vão acontecer. Só jogando ele pode falhar e ir corrigindo essas mesmas falhas. Foi por necessidade que Thierry Correia teve a sua oportunidade, porque jogou e só jogando se fazem atletas.

João Gaspar
Sócio número 7.999-0 desde 1979
Advogado
Colaborou com o Clube em várias funções de 1980 até 1986 ano da saída do Presidente João Rocha.