Com tanto sufrágio eleitoral a que o sócio do Sporting tem sido sujeito nos últimos tempos, a questão do número de votos por sócio é naturalmente e novamente, um foco de discussão entre sportinguistas.

Entre posições de defesa de direitos adquiridos e, por outro lado, a pretensão de reduzir desigualdades no peso nas decisões na vida associativa do clube, há também princípios democráticos em causa, numa amálgama polvilhada por questões políticas, sociais e até económicas.

Ou seja, sabe-se genericamente os perfis dos sócios com menos votos e como votam e o mesmo para os sócios com mais votos, daí o condicionamento apriorístico da discussão e eventuais alterações aos estatutos, conforme interesses conjunturais.

Tenho lido propostas que visam aproximar posições, alterações moderadas (reduzindo o gap atual, não o eliminando), períodos de carência de voto para novos sócios, com as quais não discordo, ou pelo menos prefiro ao atual contexto.

Percebo e concedo que em questões fraturantes, sãos mais inteligentes e têm mais probabilidades de sucesso, as posições de compromisso e as cedências mútuas.

Sendo de opinião que momentos de rutura e divisionismos já o Sporting vive bem mais que a conta, a minha posição pessoal nesta questão é, contudo, pouco paciente para aproximações graduais a algo inalienável em democracia. Não considero aceitável que a antiguidade permita que o peso da decisão de determinado sócio valha várias vezes mais que outro, que valha tanto ou mais que dois, três, quatro, dez sócios, juntos.

Independentemente do sentido de voto dos sócios nos últimos sufrágios e da nossa concordância com os resultados finais, estes registaram um desvio de quase dois dígitos, entre o número de votos e o número de sócios.

Quer em 2011, quer em 2018, o presidente eleito foi claramente menos votado que o candidato mais próximo em número de votos.

Ora isto é impensável nas democracias contemporâneas. É a decisão da maioria que está em causa à conta das regalias pela antiguidade que concordo que existam, mas nunca através do voto. Essa antiguidade não implica por si mais conhecimento, mais informação, mais esclarecimento, pontos centrais onde deve assentar a decisão de cada um, em sufrágio.

Um sócio, um voto. Compensando uns com regalias de outra natureza, introduzindo nos estatutos períodos de carência para o voto, no caso de novos sócios? Seja. Estamos em 2019 e é tempo de acabar com esta aberração estatutária e antidemocrática.

Nuno Bispo
Sócio 111.313-0
Moderador do FórumSCP desde 2015
Licenciado em Gestão pela Universidade Católica
Experiência profissional de 20 anos na Banca e Seguros