Está prevista para amanhã a decisão do presidente da Mesa da Assembleia Geral do Sporting Clube de Portugal sobre o pedido de marcação de uma Assembleia Geral Extraordinária. Este pedido, sugerido por um vasto grupo de associados liderado pelo Movimento Dar Futuro ao Sporting tem como único ponto a destituição dos actuais órgãos sociais.

Este pedido surge menos de dois anos depois da mais recente assembleia destitutiva, realizada em Junho de 2018, quando passaram 7 anos sobre o pedido e aceitação de AGE com vista à destituição do então presidente do Sporting Clube de Portugal, o Engº Luís Godinho Lopes (AG essa que não se viria a realizar pois o Conselho Directivo acabou por resignar antes da realização da mesma).

Pode ser considerado um eufemismo dizer que o nosso Clube tem vivido tempos turbulentos desde Janeiro de 2013. De eventos como a AG destitutiva de Godinho Lopes, a todos os meses que antecederam a destituição de Bruno de Carvalho, passando pelo malfadado ataque a Alcochete (evento terrível mas potenciado ao máximo pela Comunicação Social e poder político), culminando na actual situação directiva e desportiva, parece que tudo tem acontecido a uma instituição e massa associativa que não merecia e não merece passar por isto tudo.

Ou será que merece?

A resposta à questão é tudo menos fácil pois como tudo na vida, não há nem branco nem preto: vivemos numa imensidão de tons de cinzento que escurecem mais ou menos consoante os pontos de vista.

A verdade é que se os nossos adversários externos (não gosto de utilizar a palavra inimigos pois é bom lembrar que estamos a falar de um contexto desportivo e não de uma guerra) de tudo têm feito para nos rebaixar, nós, sócios da Maior Potência Desportiva Nacional, não os temos contrariado. Até os temos ajudado.

Preocupamo-nos todos com guerras e trincas internas, vivendo numa constante novela de boatos e bombas que não rebentam; colocamos sempre em causa a direcção e o clube ao mínimo detalhe levantando por um qualquer órgão de Comunicação Social; desvalorizamos tudo o que acontece externamente ao Clube sob o lema de que “temos que arrumar primeiro a casa”.

Ainda assim, e paradoxalmente, parece que apenas nos preocupamos com o acessório pois quando surgem sinais fortes de que as coisas estão realmente a descambar, logo surge a falange do apoio incondicional. “Um verdadeiro Sportinguista tem de apoiar sempre e no fim é que vamos ver se as coisas foram bem feitas ou não”.

Essa do “verdadeiro Sportinguista” alguém ainda terá de me explicar de modo a que entenda o que é!

É nisto que temos vivido os últimos anos: a guerrilhar por detalhes e a fechar os olhos ao essencial.

Claro que isto é uma generalização e alguns dirão “ah mas eu sempre disse”; “ah mas eu bem que avisei”; “ah mas eu sempre defendi a estabilidade e eles é que provocaram isto”. Ah mas eu (...), ah mas eles (...), nunca ah mas nós. Divisão, rupturas e fracionamento: é o que temos hoje em dia no Sporting Clube de Portugal.

Não quero aqui alongar-me sobre quem é o mais responsável deste clima, se um Luís, um Bruno ou um Frederico. Sei é que o clube que amo, o Sporting Clube de Portugal, não merece isto. Não merece andar constantemente nas bocas do mundo por tudo o que não se passa dentro do terreno de jogo, seja ele de Futebol, Futsal, Andebol, Hóquei, Vólei ou tantas outras modalidades. Sei que os sócios não merecem passar o tempo a discutir se o fulano ou o beltrano tem razão em pedir uma AG.

Não merecemos, mas, como dizia mais acima, há momentos em que os detalhes se tornam elefantes e há que tomar medidas. E, com razão para o fazer ou não, há momentos chave em que os acontecimentos são inevitáveis. Esta AG requerida no passado dia 7 de Janeiro é uma dessas inevitabilidades.

Uma AG que, espero, será convocada, realizada e possa ser o início do fim deste ambiente no Sporting Clube de Portugal, seja qual for a decisão dos sócios.

Que esses mesmos sócios, de uma vez por todas, saibam fazer aquilo que não têm feito ao longo de já largas décadas: colocar os seus egos de parte, olhar para a instituição que nos apaixona e decidir o seu futuro sem nunca esquecer que não nos podemos permitir mais andar de AG em AG.

Isto porque, tal como intitulei este texto, o Sporting Clube de Portugal anda de facto de AG em AG. Até onde, iremos descobrir. Os sócios têm mais uma vez a palavra: tenhamos todos a consciência de que já não há margem para erro. Ou acertamos de vez em prol do Sporting Clube de Portugal ou então assistiremos todos ao definhamento de um clube outrora Grande que passará a Histórico e, infelizmente, a vivenciar Glória apenas na memória dos mais velhos.

Pedro Anastácio
Engenheiro de Telecomunicações e Informática
Sócio do Sporting Clube de Portugal 44.774-0