Por muito que acreditemos que o caminho deve fazer-se de discussão, debate e muita reflexão sobre temas que possam, de futuro, melhorar o nosso Sporting Clube de Portugal, deixando de lado embirrações do dia-a-dia para nos concentrarmos nos temas mais estruturantes, existem momentos em que se torna necessário soltar o sonoro rugido de revolta.

Não podemos compactuar com a mentira, nem com o atirar de areia para os olhos de todos os Sócios do Sporting Clube de Portugal, estratégia escolhida pela actual direcção para justificar o não pagamento da transferência de Ruben Amorim, dado que vem a público no mesmo dia em que é comunicada a colocação em Lay-off de uma esmagadora maioria dos trabalhadores do Sporting.

A todos eles deixamos uma palavra de solidariedade, estranhando como uma organização como o Sporting Clube de Portugal coloca 95% dos seus funcionários nessa situação. O mesmo equivale a dizer que estamos perante a paralisação total do Clube, que tão atrasado tem ficado em tantas e tantas matérias organizacionais, face aos seus rivais.

Em relação ao não pagamento da transferência de Ruben Amorim, confessamo-nos assombrados com a incrível mudança operada na forma de justificar mais um momento que faz corar o mais verde dos Sportinguistas. A "herança pesada", as "claques", os "esqueletos" ou a "escumalha", entre outras figuras, foram substituídas por um impressionante exercício criativo... repleto de falhas gritantes. Vamos aos factos:

  • 05/Março Rubem Amorim é apresentado com comunicado à CMVM
  • 06/Março data de vencimento da primeira tranche de 5 milhões de euros que não é paga.
  • 18/Março É declarado o Estado de Emergência
  • 15/Abril Fontes oficiais do Clube, não desmentidas, declaram que não pagaram os 5 milhões a 6/Março por causa do Covid19, algo posteriormente confirmado pelo vice-presidente, Salgado Zenha.

Basta ver esta cronologia para se perceber que algo falha. A dia 5 de Março, a direcção presidida por Frederico Varandas sabia que tinha de pagar no dia 6. Ora, se sabia e não o fez no dia a seguir é porque já partiu com a intenção de não pagar e isso é, no mínimo, imoral. Ainda para mais quando todos tivemos oportunidade de ouvir o actual presidente do Sporting Clube de Portugal afirmar que estava tudo previsto no Orçamento e que a contratação milionária do novo treinador era “mera realocação de verbas”.

Mas a verdade da mentira pode ser ainda mais grave: se o Sporting atirou para mais tarde o pagamento da primeira prestação por causa da pandemia, significa que o Sporting arriscou dez milhões por um treinador sabendo do furacão que aí vinha? Se a resposta for "sim", então estamos perante uma total irresponsabilidade!

Mas o desnorte passa a ser total quando o responsável pela pasta das finanças do nosso Clube esclarece que tal não se pagou a transferência, “há fornecedores que não pagaram ao Sporting”. Não querendo ser muito duros com Salgado Zenha, temos mesmo que deixar uma nota básica: os fornecedores nunca pagam. São fornecedores e, portanto, recebem. Quem paga são os clientes. Talvez estes conceitos básicos venham a dar jeito, no futuro, a estes Órgãos Sociais.

Resumidamente, um dia após a contratação de Rúben Amorim e o assumir de uma dívida de dez milhões, a direcção de Doutor Frederico Varandas não pagou o que tinha assinado um dia antes, pois sabia que passados 12 dias seria declarado o estado de emergência nacional e o Clube teria que mandar embora todos os funcionários da Loja Verde que estavam sub-contratados, teria que avançar para a redução salarial, teria que colocar 95% dos seus trabalhadores em lay-off para, nas palavras de um atrapalhado Salgado Zenha, «tentar criar uma almofada e condições para ultrapassar este momento». Para já, sabe-se que esta gestão visionária resulta numa multa por incumprimento orçada em um milhão de euros mais juros, coisa pouca quando se brinca aos presidentes com o dinheiro do Sporting Clube de Portugal.

Seria fácil falar em mais um ato de gestão danosa, mas esta gestão é, afinal, uma gestão bondosa. Bondosa para todos, menos para o Sporting. E para os Sportinguistas que, a cada dia que passa, deixam de ter margem para acreditar numa única palavra destes Órgãos Sociais e a quem se coloca uma questão fundamental: até quando vão continuar a permitir as desculpas e as mentiras?