Painel 3

Futebol, Modelo Estratégico

Cherba – Sócio nº 28.070-0

Formar Identidade

Introdução

A cada nova campanha eleitoral, repete-se a máxima que soa bem ao ouvido dos sócios: o nosso projeto passa pela aposta na formação. É escrito e dito assim. A seco. Qual refrão orelhudo numa música vazia, qual pastilha elástica cujo sabor marcante da primeira mascada se transforma em algo rapidamente dispensável.

Os projetos, alguns envergonhando o significado de projeto, acabam por revelar-se um amontoado de ideias soltas, giras, roubadas aqui e ali, boa para partilhar nas redes sociais. E facilmente são trocados pela vertigem de querer ganhar de qualquer forma, para acalmar o espírito de adeptos que há demasiado tempo esperam por novas conquistas. De adeptos a quem não se tem a coragem de perguntar se estão dispostos a apoiar uma ideia que pode manter-lhes (nos) o jejum por mais algum tempo.

Há sempre um, “mas”. Há sempre um “ainda precisa de rodar”. Há sempre um qualquer craque de bolso a contratar. Apostar na formação. Pois…

Recomendação 1

A definição de uma política pela Administração da SAD com um cariz de aposta na Formação é a base fundamental para o alinhamento de toda a estrutura. Esta política deve ser aprovada também em AG do Clube, para que se obtenha o maior apoio possível dos Sócios e adeptos sobre o caminho a seguir. Não basta dizer “aqui nascem as estrelas”; é preciso que os jogadores da formação tenham efetivamente, uma presença forte no plantel principal.

A Formação tem várias vantagens. Atletas que sentem de forma diferente o clube, estão adaptados ao país, comida, costumes; conhecem o estilo de jogo que se pratica. Abdicar deles em função de jogadores medianos, muitos deles emprestados e pagos a peso de ouro, é passar uma mensagem completamente antagónica à que costumamos escutar. Se a formação faz parte do nosso ADN, temos que assumi-la sem receios, ampliando os sonhos e os desejos de quem sonha seguir o percurso dos seus ídolos.

Recomendação 2

O problema do Sporting não tem sido financeiro, mas sim económico/desportivo. Financiamo-nos com os nossos fornecedores. Temos, deliberadamente, gastos operacionais acima dos proveitos operacionais, na esperança que a performance desportiva traga proveitos extraordinários e que a venda de direitos desportivos no final dessa época cubra o défice gerado pelo ciclo operacional.

A gestão tem de inverter este ciclo. Primeiro têm que se equilibrar os gastos com os proveitos, e grande parte desse caminho consegue-se percorrer com a aposta em jogadores da formação. Primeiro, fazendo crescer esses jogadores para se obter um rendimento desportivo elevado. Com o rendimento desportivo elevado é normal que os Proveitos operacionais aumentem e aí sim pode-se começar a elevar os Gastos operacionais, mas sempre equilibrados com os Proveitos. As possíveis mais-valias de venda de direitos desportivos devem ser canalizadas para Investimento, seja corpóreo, seja incorpóreo, que elevem a performance desportiva, mas nunca para cobrir défices operacionais.

Recomendação 3

Atualmente, o universo de formação e prospeção do Sporting engloba as EAS Sporting Clube de Portugal, que são tipo “franchises”, e as AFS Sporting Clube de Portugal, com 5 pólos (Braga, Porto, Aveiro, Coimbra e Faro) controlados diretamente pela Academia mãe, em Alcochete. O objetivo do Recrutamento passa por detetar, selecionar e contratar os melhores jogadores para o Sporting, com as várias academias, nomeadamente as que se localizam fora de Lisboa, a revelarem-se instrumentos que permitem reter jovens talentos e desenvolver as suas capacidades segundo o nosso processo de formação desportiva, sem ter de os afastar das suas famílias em idades muito precoces. Esse contacto com as famílias é imprescindível, pois já não basta a força da marca Sporting. Se não fizermos esse trabalho de proximidade, instituindo condições para as crianças e para as suas famílias, alguém o fará. Estas academias devem, também, ser olhadas como espaços privilegiados para formar treinadores segundo a nossa filosofia e, assim, alargar a base de recrutamento de staff do Clube.

Recomendação 4

Não só formamos jogadores, como devemos formar treinadores, com toda uma simbiose de processos, normas, formações e regras para chegarem ao topo da hierarquia e terem uma hipótese de entrar nas equipas do Sporting, em Alcochete. E todo este trabalho assenta num modelo de jogo que será transversal a todas as equipas a partir dos juvenis (pelo menos), numa identificação tática que permite o crescimento aprimorado de uma matriz e de uma forma de estar em campo. À Sporting.

Recomendação 5

Esta visão global permite que todo o trabalho seja desenvolvido com um objetivo comum. Não só os jovens talentos são procurados para encaixar numa matriz, como os treinadores sabem qual o caminho a seguir até à equipa principal. Formamos talento e descobrimos talento. Tornamo-lo sustentável desportiva e financeiramente. E, com isso, alcançamos algo que há tanto ansiamos: a criação de uma identidade da qual não abdicamos.