Painel 3

Futebol, Modelo Estratégico

Nuno Sousa – Sócio nº 9.575-0

O Mito

Introdução

O Mito – “Só com a formação não se ganham campeonatos”

Este é o mito que nos é vendido ano após ano, na comunicação social, por ditos experts, que moldam assim mentes de adeptos para exigirem “reforços”. Muitos destes “experts” têm interesse direto no chamado “mercado”, pois sem este “mercado” não teriam horas e horas de programas que mais não são que telenovelas futebolísticas, mas sem qualquer enredo, apenas baseado em supostas insides que mais não são que especulações nada filosóficas.

Estes “reforços”, nascem por geração espontânea, ou também eles foram formados “algures”? É óbvio que foram formados em outros Clubes, sendo por isso também oriundos da formação, só que de outros clubes.

A verdade é que o Sporting formou 11 jogadores da equipa que foi campeã da Europa de Seleções, nos últimos 18 anos sempre que a performance desportiva foi melhor, foi com recurso a uma forte base da formação do Sporting, a saber:

  • 2006/07 com Paulo Bento e talvez o menor orçamento de sempre desde que há SAD ficou a 1 ponto de ser campeão;
  • 2012/13 com Jesualdo Ferreira em que estando a poucos pontos da linha de água já na segunda volta, afasta os jogadores mais “consagrados” e recorre a jovens da equipa B, lançando-os com sucesso que quase garantia a qualificação para a Liga Europa;
  • 2013/14 com Leonardo Jardim em que se lutou praticamente até ao fim com uma equipa onde se fizeram regressar emprestados da formação que foram os grandes reforços desse ano.
  • 2015/16 com Jorge Jesus a pegar numa equipa com base nos jogadores existentes no plantel oriundos da formação e com o Clube em dificuldades financeiras fica em segundo a apenas 2 pontos do campeão, com record de pontos.

É frequente serem publicadas estatísticas em que o Sporting é um dos Clubes Europeus que mais jogadores fornece às Ligas profissionais por essa Europa fora ombreando com Ajax, Barcelona, Partizan pelo topo.

Ora parece evidente que a falta de resultados desportivos tem como uma das razões a falta de sequência na aposta de lançamento de jogadores da Formação de forma consistente ano após ano, pois esta aposta tem andado ao sabor de direções e pior, ao sabor de diferentes treinadores.

Outro Mito – “A formação tem um problema”

É referido nos últimos tempos que há um problema na Academia do Sporting, lançando uma névoa sobre toda a área de Formação, sem, no entanto, referir o verdadeiro problema que é a falta de dinheiro canalizado pela SAD para dar aos pais, que são os decisores dos contratos dos jogadores jovens, e também aos empresários, que cada vez mais cedo têm em carteira jogadores jovens.

Que fique claro, o problema não é de pessoas, nem da infraestrutura, pois se fosse verdade o Figo não se teria feito jogador, cheio de técnica e a driblar como poucos, a trabalhar em meio pelado.

Recomendação 1 - Acabar com o subfinanciamento da Formação

Tem que ser pensado o orçamento como um todo e não só para a equipa principal, sob pena de hipotecar-se o futuro pelas decisões de curto prazo de pagar mais aos atletas profissionais e “secar” financeiramente a Formação, pois os recursos são finitos e faltam sempre onde há menor visibilidade.

Recomendação 2 - A Política Desportiva definida pela SAD aprovada em AG do Clube

A definição de uma política pela Administração da SAD com um cariz de aposta na Formação é a base fundamental para o alinhamento de toda a estrutura. Esta política deve ser aprovada também em AG do Clube, para que se obtenha o maior apoio possível dos Sócios e adeptos, no caminho a seguir. Temos um histórico de grandes jogadores, que pode ser a marca do Clube pelo mundo fora “aqui nascem as estrelas”. Se esta for a ideia a ser “vendida” como o ADN do Clube, então os jogadores da Formação têm que ter uma presença forte no plantel principal.

Recomendação 3 - A Estrutura

Para executar esta visão o Diretor Desportivo deve ser o principal condutor da política definida pela Administração, garantindo que a estrutura executa a política definida sem desvios, e garante de estabilidade. O Diretor Desportivo fará também a ligação ao “mercado”. Na relação com o mercado e com os empresários, a relação tem de ser de respeito por todos, com equidade e justiça que é um dos valores mais considerados positivamente pelas pessoas. Todas as pessoas gostam de ter oportunidades iguais, ser tratadas com justiça e respeitadas pelo seu trabalho. Para que isso aconteça deve ser dada uma referência de conduta da relação. Quem trabalhar e der dinheiro a ganhar ao Sporting merece ter a sua comissão.

Recomendação 4 - Treinadores para uma estrutura e não o contrário

O Treinador e a sua escolha pode ser a diferença entre o sucesso e o insucesso. O quadro de treinadores da Academia deve ser estável, no entanto, a Academia deve ser também um viveiro de treinadores até para outros clubes devendo o Sporting ajudar à carreira desses treinadores que serão sempre bons scouters para o Clube, nomeadamente nos PALOP ou na Ásia e América Latina. Para o plantel principal o fundamental é que o treinador saiba enquadrar-se na estrutura existente e não ser um treinador que quer ser diretor desportivo, manager e presidente.

Recomendação 5 - O Scouting como parte do processo de tomada de decisão

Há uma nova buzz word no Futebol que é o Scouting, que sempre existiu, mas agora há a visão mais “científica” desta função, mas a verdade é que terá de ser um misto, ou seja, a analítica é cada vez mais uma ferramenta utilizada em diversas atividades, mas a decisão humana tem muito peso. É importante que o Scouting seja parte da tomada de decisão e se responsabilize pela mesma. Deve ser o Scouting que apresenta as alternativas à Direção e ao Treinador. No processo devem ficar bem registadas o sentido do parecer de cada interveniente, para memória futura.