Painel 3

Futebol, Modelo Estratégico

Pedro Manuel Ramos – Sócio nº 14.579-0

Implementação de uma Academia

Introdução

O domínio e a organização de todos os aspetos que são necessários na Direção de um “PROJETO DESPORTIVO” são complexos, não só pelas dificuldades inerentes às próprias necessidades específicas neste tipo de estruturas, mas também pelas diferentes características que se relacionam com:

  • O nível de profissionalização de cada Instituição;
  • A qualidade e quantidade dos meios e das instalações desportivas e de apoio disponíveis;
  • O retorno social (a importância que se dá a uma prática desportiva continuada e, o número, de potenciais atletas);
  • O conceito que têm sobre o “desporto de formação” os Órgãos Sociais da Instituição.

prática de uma modalidade concreta, a partir de uma determinada idade, deve comportar, a existência de Entidades específicas, cujos objetivos sejam os mais adequados às necessidades próprias destas idades.

Atualmente no “Desporto de Formação” este trabalho vem sendo desempenhado pelos Clubes e, apesar, de alguns deles, não estarem devidamente apetrechados para a “Formação Desportiva” e, o seu principal objetivo, não ser esse, suportam todas as atividades de “Formação” a tão precoces iniciantes, devido à ausência de outro tipo de Entidades e estruturas.

Esta situação comporta:

Falta de meios – Como é lógico e natural o Clube dá prioridade às suas equipas de competição, à utilização de equipamentos de apoio, à disponibilidade de horários, aos meios económicos dispensados e a pessoas capacitadas em que se delegam as várias responsabilidades diretivas.

Falta de estruturas sólidas e coerentes no âmbito do “Desporto de Formação” – Existe um maior número de equipas nos escalões de competição – Juniores, juvenis e iniciados do que nas categorias de infantis, benjamins, traquinas, petizes e de animação! Isso implica uma situação de “Pirâmide Invertida” que, impossibilita, a existência de um correto processo formativo.

Falta de técnicos especialistas na formação de base – Por esta razão, em muitos casos, se transfere essa responsabilidade pedagógica, para pessoas não preparadas especificamente, mas, que, manifestam, uma total entrega e dedicação. Estas circunstâncias implicam uma série de consequências que condicionam o trabalho que se pode realizar em relação à formação de jovens praticantes. Assim, resulta absolutamente necessário a contratação de uma estrutura específica na área do “Desporto de Formação”, cujo principal e único objetivo é, a aplicação, de metodologias e princípios pedagógicos adequados ao escalão em que esteja rodeado, envolvendo-se dessa forma a criança, e o jovem praticante, num ambiente harmonioso e de acordo com as suas etapas de desenvolvimento, num processo lento, mas seguro.

Recomendação 1 - Características das Academias Desportivas

  • Estrutura própria e exclusiva dedicada às vivacidades de formação e competição;
  • Programa técnico-pedagógico direcionado para o desporto de formação;
  • Órgãos Sociais;
  • Direção Técnica especializada;
  • Técnicos especializados na metodologia do treino ao nível dos escalões de formação;
  • Objetivos e formas de trabalho específicas para todos aqueles que possuem aptidão para a prática desportiva.

Nesta conceção, é de todo conveniente, a existência de uma Direção Técnica, séria, competente, sistematizada, dedicada, esforçada e sobretudo com grande sentido de responsabilidade, sendo essa mesma Direção, um suporte valioso e indispensável, à consagração de todos os objetivos que devem presidir numa Instituição com estas características.

Recomendação 2 - Estruturação do processo de formação no futebol

  • Centros de Promoção (escolas de futebol): Atletas 6-11 anos;
  • Centro de Iniciação (escolas de futebol): Atletas 12-15 anos;
  • Centros Técnicos (escolas de futebol específicas para aperfeiçoamento de atletas): Atletas 16-18 anos;
  • Centro de Alto Rendimento: Atletas Sub-19, Sub–20, Atletas com progressão no futebol profissional.

Recomendação 3 - Seleção de Atletas

Critérios de seleção:

  • Idade dos Atletas – No decorrer do processo de crescimento do jovem praticante, vão sendo exibidas determinadas aptidões (físicas, motoras e psicológicas), de harmonia com os distintos níveis de exteriorização das mesmas, que determinam cada uma das diferentes etapas que constituem o método de seleção. Por isso, tendo em ponderação a idade de cada um, as distintas competências a serem reconhecidas, terão uma maior ou menor relevância.
  • Capacidades a valorizar – São os aspetos técnicos, táticos, físicos, motores e psicológicos que se expressam durante o progresso da vivacidade desportiva do jovem praticante. Assim, deve ser privilegiado o nível de manifestação relativamente à idade (ver ponto anterior) e, aos pressupostos que guiam essa seleção.

Objetivos da seleção:

  • A captação de jovens praticantes com capacidade para seguir um processo de formação como desportistas. Idades: 8/9 - 16/17 anos. Intuito para longo prazo.
  • A captação de jovens praticantes que manifestem um rendimento imediato. Atletas Seniores que, pela idade, terminaram a sua formação e, que lhes, será exigido, um determinado nível de eficácia em relação ao escalão etário. Intuito para curto prazo.
  • A captação de jovens praticantes com capacidade para seguir um processo de formação que apresentem um alto nível de rendimento em relação à idade. Atletas entre os 16 e os 19 anos que, respeitem, os passos das suas etapas de formação e de rendimento. Neste intuito, podem ser incluídos, os atletas com idade inferior que cumpram ambos os requisitos, ainda, que pouco, frequente, a existência de atletas que, além de manifestarem um alto nível de rendimento, disponham também, de um alto nível das capacidades que lhes permitam seguir um processo formativo.
  • Recomendação 4 - Caracterização da Direção Administrativa e Técnica da “Escola de Futebol”

    Intuitos da Equipa Técnica:

    • A especialização dos Técnicos / Treinadores / Monitores;
    • A seleção de Atletas;
    • As vivacidades desportivas e sociais (treinos, competições, reuniões, convívios, etc.);
    • As regras internas (regulamento disciplinar dos técnicos / treinadores / monitores / delegados / colaboradores, etc.);
    • A planificação e metodização do programa tecno-pedagógico.

    Competências da Equipa Técnica:

    • Determinar os objetivos técnicos e pedagógicos de cada equipa / turma e as respetivas etapas, bem como, as especificidades e características próprias da época desportiva;
    • Definir as metodologias e os respetivos programas de trabalho de cada equipa / turma;
    • Grande poder de decisão sobre as vivacidades a realizar e que afetem o âmbito desportivo.